Uro-oncologia · Suprarrenal
Nódulo na suprarrenal
A glândula suprarrenal — ou adrenal — quase nunca dá sinal de si. Quando aparece um nódulo, na esmagadora maioria das vezes é achado de uma tomografia pedida por outro motivo. A avaliação começa por uma pergunta que não é cirúrgica: essa lesão produz hormônio?
O que a suprarrenal faz
São duas glândulas pequenas, uma sobre cada rim, responsáveis por produzir hormônios que regulam pressão arterial, resposta ao estresse, equilíbrio de sal e água e parte dos hormônios sexuais. Cortisol, aldosterona e adrenalina saem daí.
Um nódulo encontrado por acaso nessa glândula recebe o nome de incidentaloma adrenal. É comum, e a maioria é benigna e não funcionante — ou seja, não altera a produção hormonal. Mas a minoria que altera pode explicar sintomas que a pessoa carregava havia anos sem diagnóstico.
Sinais que podem ter relação com a adrenal
- Hipertensão de difícil controle, especialmente em pessoas jovens ou que precisam de vários medicamentos.
- Potássio baixo em exames de rotina, sem causa evidente.
- Crises de palpitação, sudorese, dor de cabeça e pressão muito alta, em episódios.
- Ganho de peso central, estrias largas, fraqueza muscular e alterações de glicemia.
A avaliação vem antes da decisão cirúrgica
Diante de um nódulo de adrenal, duas perguntas organizam tudo o que vem depois — e as duas precisam de resposta antes de qualquer conversa sobre cirurgia.
- A lesão é funcionante? Responde-se com exames laboratoriais dirigidos, que avaliam cortisol, aldosterona, renina e metanefrinas, conforme a suspeita clínica.
- A lesão tem características de malignidade? Responde-se com imagem — tomografia com protocolo específico para adrenal ou ressonância —, olhando tamanho, densidade, contornos e como a lesão se comporta com contraste.
Essa investigação é frequentemente conduzida em conjunto com a endocrinologia. Há um detalhe importante de segurança: em suspeita de feocromocitoma — o tumor que libera adrenalina —, a preparação clínica antes da cirurgia é obrigatória. Operar sem esse preparo é um risco evitável.
A punção de lesão adrenal, ao contrário do que se imagina, raramente é indicada, e nunca antes de afastar feocromocitoma.
Quando se opera
- Quando a lesão produz hormônio em excesso e isso repercute na saúde.
- Quando as características de imagem sugerem malignidade.
- Quando o tamanho ou o crescimento ao longo do acompanhamento justificam.
Fora dessas situações, a conduta costuma ser acompanhar com imagem e exames laboratoriais em intervalos definidos — o que também é uma decisão ativa, não uma ausência de conduta.
A retirada da glândula, a adrenalectomia, é hoje feita preferencialmente por via minimamente invasiva — laparoscópica ou robótica — em boa parte dos casos. A adrenal fica numa posição profunda, cercada de vasos calibrosos, o que torna a magnificação da imagem e a precisão da dissecção especialmente úteis nesse procedimento. Lesões grandes ou com suspeita de invasão podem exigir cirurgia aberta.
Conteúdo informativo. A indicação de cirurgia adrenal depende de avaliação clínica, laboratorial e de imagem, frequentemente em conjunto com a endocrinologia.
Autoria e revisão médica
Dr. Rodrigo Lolli · Médico urologista
Publicado em · Revisado em
Dúvidas frequentes
Perguntas frequentes
Encontraram um nódulo na adrenal por acaso. É câncer?
Na maioria das vezes, não. O incidentaloma adrenal é comum e costuma ser benigno e não funcionante. A avaliação responde duas perguntas: a lesão produz hormônio e a imagem tem características suspeitas.
Que exames são pedidos?
Exames laboratoriais dirigidos — cortisol, aldosterona, renina e metanefrinas, conforme a suspeita — e imagem com protocolo específico para adrenal. A investigação costuma ser conduzida junto com a endocrinologia.
Todo nódulo de adrenal precisa ser operado?
Não. Opera-se quando a lesão produz hormônio em excesso com repercussão clínica, quando a imagem sugere malignidade ou quando o tamanho e o crescimento justificam. Fora disso, acompanha-se com exames em intervalos definidos.
A cirurgia da adrenal é aberta?
Na maior parte dos casos, não: a adrenalectomia é feita por via minimamente invasiva, laparoscópica ou robótica. Lesões grandes ou com suspeita de invasão podem exigir cirurgia aberta.
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